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Afinal, quem paga pelo carnaval de BH?

10/2/20

Em meio às tragédias e estragos causados pela chuva dos últimos dias são muitas as críticas e as cobranças para que a Prefeitura de Belo Horizonte cancele o carnaval na capital. Pressionado, o prefeito Alexandre Kalil garantiu que o calendário da festa em Belo Horizonte está mantido. Nas redes sociais, o posicionamento fez o nome do prefeito ser um dos assuntos mais comentados do país. No entanto, entra ano, sai ano, a polêmica continua: afinal, quem paga pelo carnaval de BH?

Em 2020, a cidade se prepara para receber cerca de 5 milhões de foliões. Entre 8 de fevereiro e 1º de março, mais de 500 blocos prometem animar belo-horizontinos e turistas com infraestrutura, segurança e mobilidade. Para que essa expectativa seja cumprida, é necessário um investimento de R$ 14,3 milhões. Todo esse valor é financiado pela iniciativa privada, por meio de dois grandes patrocinadores.

Desse montante, R$ 6 milhões são repassados em verba direta e R$ 8,3 milhões em planilhas de estruturas e serviços, captado por meio de Edital de Patrocínio. Todo o orçamento da Belotur é proveniente de investimento privado. Esse dinheiro é utilizado na contratação de músicos, na subvenção (auxílio) de blocos e escolas de samba e em toda a estrutura dos palcos espalhados pelas regionais da cidade durante o evento, por exemplo.

Blocos de rua
Do valor total do patrocínio, R$ 850 mil são destinados aos blocos de rua. Desfilando pela Avenida Afonso Pena e arrastando uma multidão de pessoas desde 2017, o bloco Quando Come se Lambuza foi contemplado pela primeira vez no edital que concede esse auxílio financeiro. O valor recebido por cada bloco varia de R$ 3,5 mil a R$ 12 mil, dependendo da categoria inscrita no edital.

Christiano Ottoni, produtor cultural e diretor de comunicação do Quando Come se Lambuza desde 2016, informa que o valor repassado pela prefeitura é responsável por apenas 5% dos gastos com o bloco. “O Quando Come se Lambuza tem o maior trio elétrico disponível no mercado, esse trio é patrocinado por fora, assim como os outros 95% dos gastos com a produção. As companhias enxergam no carnaval de BH um potencial imenso de visibilidade para a marca, e é isso o que faz com que a gente consiga colocar o bloco na rua para poder proporcionar uma experiência legal para o folião. É claro que a prefeitura ajuda. Ela altera a logística da cidade e faz o carnaval acontecer, mas o restante, o dinheiro, vem dos patrocinadores”, explica Ottoni.

E não é à toa que os patrocinadores têm escolhido Belo Horizonte como vitrine de suas marcas no carnaval. Em 2019, o número de turistas na cidade foi 204 mil. Em média, os visitantes participaram de 4 dias do evento e cada um teve um gasto médio diário, de R$ 179,58, totalizando R$ 718,32, em média, durante todo o evento.

Para Christiano Ottoni, a festa é uma das grandes responsáveis pela economia sazonal da cidade, por aquecer a rede hoteleira, o comércio e a cena cultural da capital. “Quando você ocupa a cidade você movimenta a economia, gera emprego, gera visibilidade no cenário nacional. A gente continua fazendo carnaval por isso. O carnaval transformou Belo Horizonte e a gente vê isso no dia a dia, no retorno econômico para a cidade e para os milhares de ambulantes que recebem uma grana extra nesse período.”

Solidariedade
Para tentar minimizar os impactos das chuvas nas milhares de vidas afetadas pelos temporais que atingiram a capital, blocos como o Ziguiriguidum, Tchanzinho ZN, Volta Belchior, Baianas Ozadas, Bloco de Belô e Quando Come se Lambuza têm feito a sua parte, se mobilizando e mostrando que, além de entender de folia, também sabem tudo de empatia e solidariedade.

Nas redes sociais, os blocos têm divulgado campanhas de arrecadação de donativos e aproveitado os ensaios para arrecadar alimentos, água, material de higiene pessoal e de limpeza para enviar as vítimas da chuvas.

Por Aissa Mac, do Jornal Estado de Minas.
(Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves).

Fotos: Israel do Vale e Vinicius Rezende (Mapa da Folia).