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Depreciação de veículos

Artigo redigido por Rodrigo Santana - VERS Contabilidade → 10/9/20

A depreciação de veículos é uma dor de cabeça para todo gestor de locadoras, não é mesmo?

Apesar de ser um custo inevitável, existem algumas maneiras de lidar com ele.

Qualquer produto que adquirimos perde seu valor a partir do momento que ele sai da loja. Um carro, por exemplo, passa a valer 20% a menos no momento em que sai da garagem da montadora.

Neste artigo escrito pelo Rodrigo Santana da Vers Contabilidade vamos entender mais sobre a depreciação, seus impactos na tributação do seu negócio e apresentar dicas de como calcular a depreciação da sua frota.

O que é depreciação de veículos?

Depreciação significa a desvalorização de determinado bem. No caso da depreciação de frota estamos falando da desvalorização dos seus veículos.

Os veículos, assim como qualquer outro equipamento, sofrem desgastes ao longo do tempo. As manutenções frequentes ajudam a retardar esses efeitos e permitem que os veículos continuem funcionando bem.

Na gestão de frotas, a depreciação de veículos abrange uma despesa fixa para uma locadora de veículos. Não há como fugir dela, esse é um tipo de custo que existe independente da quantidade de serviços prestados pela sua empresa.

Com o tempo, os veículos vão perdendo o valor de mercado tanto pelo desgaste natural, como pela própria ação do tempo, que vai tornando a sua frota obsoleta, na medida em que novas tecnologias vão surgindo.

Fatores que influenciam na depreciação da sua frota

  • Ano de fabricação e ano do modelo: o ano de fabricação do modelo é um indicador da depreciação de frota de veículos no mercado. A diferença de valores de um ano para outro varia conforme o tempo de fabricação.
  • Quilômetros rodados: na medida em que quilômetros são rodados, a desvalorização se torna maior. Desgastes no motor, revisões programadas e pontos de estagnação do veículo são resultados de alta quilometragem rodada.
  • Estado de conservação do veículo: os amassados, avarias e arranhões também impactam no valor final do veículo.

Como a depreciação afeta a sua empresa?

Caso não seja prevista na sua gestão de frotas da sua locadora de veículos, a depreciação pode fazer com que as suas contas passem a não bater no final do mês.

Sabemos que os problemas causados pela depreciação de frotas atingem principalmente o caixa da sua empresa, mais especificamente, o seu patrimônio, já que a frota faz parte dessa variável.

Veículos depreciados geram uma série de problemas para a sua empresa, como, por exemplo, redução do valor de revenda, veículos desatualizados com baixa competitividade, consumo de combustível elevado e manutenções recorrentes.

Como calcular a depreciação de veículos?

De maneira geral, você deve dividir o valor do automóvel zero quilômetro por quatro ou cinco (dependendo do tipo de automóvel) para saber o valor anual de depreciação. Depois, divida o valor obtido por doze (meses do ano). O resultado será a depreciação mensal do veículo. Isso significa que, a cada mês, seu automóvel desvaloriza este valor obtido.

Vamos aprofundar a seguir, falando sobre os cálculos contábil e gerencial.

Cálculo Contábil

O cálculo contábil é feito com base nas normas contábeis e nas regras definidas pela Receita Federal. Caso tenha um contador que realize a escrituração da sua empresa, provavelmente ele já faz esse cálculo para você, para fins de tributação.

Nessa maneira de calcular, a Receita Federal já estabeleceu quanto os seus veículos depreciarão a cada ano, por quantos anos e quanto terá de valor residual. Os dados são os seguintes:

  • Taxa de depreciação dos veículos
  • Prazo de depreciação dos veículos
  • Valor residual

As taxas de depreciação de bens móveis, que são locados normalmente da empresa podem variar entre 20% e 25%, dependendo do tipo de veículo.

No caso de locadoras de veículos, a depreciação de 20% ao ano para os veículos de passeio, e de 25% para utilitários.

Os veículos automotores devem ser depreciados calculando a vida útil dos automóveis, que também podem variar de 4 a 5 anos para perderem totalmente seu valor de custo.

De uma forma geral, os carros importados desvalorizam-se mais rápido do que os nacionais. E a taxa média de depreciação de um importado pode chegar aos 50% do valor de compra do veículo.

No caso dos automóveis de passageiros, os mais comuns, a taxa de depreciação é em 20% e tem sua vida útil estimada em 5 anos.

Já quanto aos veículos especiais e mais pesados como caminhões-guindastes, auto socorros ou caminhões de incêndio, por exemplo, são taxados à depreciação em 25%, possuindo a vida útil de 4 anos.

As motocicletas também são contabilizadas da mesma forma que os veículos especiais: taxa de depreciação em 25%, com a vide útil de 4 anos.

Cálculo gerencial

O cálculo gerencial é mais fácil de fazer e de ser colocado em prática. Para fazer as contas, você vai precisar ter as seguintes informações:

  • Valor pago pelo veículo
  • Prazo que deseja utilizá-lo
  • Valor a que o veículo será vendido.

O prazo que você deseja usar o veículo e o valor pago por ele são informações fáceis de conseguir – você, provavelmente, consegue estimá-las de cabeça. Para conseguir o valor de venda, precisará fazer uma estimativa. Uma boa sugestão para isso é usar a tabela FIPE.

A fórmula é: depreciação = (valor de compra – valor de revenda) / período de uso

Considere um veículo que, em 2011, valia R$ 50 mil. Digamos que o gestor estipula um prazo de 5 anos (60 meses) para trocar o seu veículo. Em 2016, o mesmo veículo tem um preço de revenda correspondente a R$ 30 mil. Houve uma desvalorização, em 5 anos, de R$ 20 mil. Para considerar a depreciação de veículos como um custo fixo mensal, no entanto, é preciso aplicar a fórmula:

Depreciação = (50.000 – 30.000) / 60 = R$ 333,33 ao mês (custo fixo mensal de depreciação).

Esse valor deve ser considerado por você como um custo da sua empresa e reservado todo mês para a futura troca do veículo.

Benefícios fiscais da depreciação de veículos

O reconhecimento da depreciação dos veículos é um importante componente na formação do resultado das locadoras e, para as optantes pelo Lucro Real, de suma importância na determinação de impostos e contribuições.

Os veículos da sua locadora têm um prazo determinado de vida útil finito e em decorrência do seu uso, ou mesmo obsolescência, se desgastam. Essa diminuição de utilidade e de valor deve ser reconhecida através da depreciação que anteriormente detalhamos.

Este é um conceito contábil que muitas vezes entra no “piloto automático” quando então passam despercebidas algumas oportunidades de melhor utilização tributária.

Considerando-se que o valor da depreciação afeta negativamente as finanças da sua empresa, pois se classifica como uma despesa, conclui-se que em uma empresa lucrativa, sob uma ótica tributária, deseja-se que sejam maiores os débitos dedutíveis de depreciação, pois haverá imediata redução do Imposto de Renda e da Contribuição Social.

Nesse contexto, um aspecto importante trata das taxas de depreciação fixadas pela Receita Federal do Brasil e a possibilidade destas serem alteradas para mais ou para menos.

O Regulamento do Imposto de Renda possibilita ao contribuinte adotar taxas de depreciação que melhor representem a vida útil econômica dos bens móveis, desde que determinadas com base em estudos e laudos técnicos especializados.

Controle da Depreciação

Pequenos cuidados contábeis muitas vezes representam significativas vantagens tributárias, para seu negócio.

Uma contabilidade especializada no segmento de locadoras está familiarizada com as taxa e tributações que melhor se aplicam para o seu negócio e a depreciação de veículos, que era tratada apenas como uma despesa fixa pode se tornar uma maneira de economizar no pagamento de tributos.

Rodrigo Santana - VERS Contabilidade

Rodrigo Santana - VERS Contabilidade

Formado em Ciências contábeis pelo Centro Universitário – UNA e pós-graduado em Gestão Fiscal e Tributária pela PUC, é também membro do Conselho Gestor e Diretor de operações e de fomentação de negócios da VERS Contabilidade e integrante do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IBRACON. Atuou por mais de dezessete anos nas áreas contábil fiscal, tributária e societária atendendo a todas as empresas do Grupo Localiza.