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Estelionato virtual mais que triplica em Minas nos últimos cinco anos

23/12/19

Os crimes cibernéticos fazem explodir as queixas registradas nas delegacias do Estado. A maior disparada é a do estelionato virtual. Nos últimos cinco anos, os golpes praticados na web mais que triplicaram, passando de pouco mais de 2 mil delitos, em 2015, para mais de 6,5 mil até outubro deste ano.

Para especialistas, o aumento acompanha a desenfreada popularização da internet, sendo que o principal desafio das forças de segurança é punir os bandidos com rigor. A pena vai de um a quatro anos de prisão.

Nesta semana, a empresária Flávia Carvalho, de 31 anos, entrou na estatística. Ela e três amigos investiram R$ 940 mil na criptomoeda bitcoin. O dinheiro foi aplicado em fevereiro. A promessa era de um retorno de 6% a cada dois meses. “Mas descobrimos que se tratava de uma pirâmide financeira”, conta.

O suposto investidor desapareceu e não atende as ligações das vítimas. O prejuízo do grupo, somando os juros e correções, segundo Flávia, chega a R$ 1,2 milhão.

“A revolta é muito grande. Confiei e ele me passou a perna. Estou desolada”, acrescenta a jovem. A Polícia Civil informou que apura o caso, mas não repassou detalhes.

Basta um clique
Especialista em Direito Digital e crimes cibernéticos, o advogado Luis Felipe Silva Freire diz que os criminosos viram na web uma nova forma de atuar. “Cada vez tem mais gente navegando na internet. No meio virtual, as pessoas ficam suscetíveis a diversos tipos de delito”.

Além disso, conforme Freire, a facilidade em divulgar um golpe é outro agravante. “Um bandido pode, por exemplo, criar uma falsa promoção e, em um único clique, disparar para 200 mil usuários”.

Para o advogado, cumprir a lei é o desafio. “É necessário punir com rigor. O criminoso tem que saber que, se ele praticar o crime, seja por meio virtual ou pessoalmente, será penalizado”, acrescenta.

Armadilhas mais usadas
Links recebidos como propagandas são algumas das principais artimanhas utilizadas pelos criminosos para atrair as vítimas, afirma o delegado geral do 2º Departamento da Polícia Civil, Rodrigo Bustamante.

Por mais repetitivo que seja o discurso, ele reforça que as pessoas não podem acreditar em tudo que aparece na internet. “Se for uma oferta de produto ou serviço, não acesse o que foi enviado. Entre diretamente no site da empresa”.

Sobre o trabalho da polícia, ele destaca que todo computador tem um número de identificação e os acessos, deixam rastros. “A partir disso, a investigação segue os trâmites normais até se chegar ao suspeito”.

Segundo Bustamante, o Estado tem investido em equipamentos e treinamentos para agilizar a apuração dos casos. “A Polícia Civil busca perfil de pessoas qualificadas, com processos de seleção rigorosos”, garante.

Por Renata Evangelista, do Jornal Hoje em Dia.