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MG passa SP em emplacamentos; ICMS paulista mais caro pode ser a causa

23/6/21

Pela primeira vez, em maio Minas Gerais ultrapassou São Paulo e foi o Estado campeão nacional de emplacamentos em um mês, dominando 24,5% dos licenciamentos de veículos leves novos no período, cerca de 43 mil unidades, contra quase 37 mil registros do Detran paulista, na segunda colocação mensal com participação de 21%. A Anfavea, associação dos fabricantes, aponta que a provável causa para o improvável foi a majoração da alíquota do ICMS paulista em abril passado para 14,5%, após ter aumentando de 12% para 13,5% em janeiro, enquanto o governo mineiro seguiu cobrando 12%.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirma que vinha alertando o governo paulista que o aumento do imposto e dos preços dos carros deveria causar queda de vendas no Estado. “É provável, mas é o primeiro mês que isso acontece, vamos esperar mais um pouco para avaliar se é uma tendência ou se foi uma situação pontual”, pondera o dirigente.

“O fato é que os veículos já sofrem uma carga tributária absurda com IPI, PIS-Cofins e ICMS que ficou ainda maior em São Paulo, o consumidor não aguenta mais pagar por isso. Não é justo que só o setor automotivo pague a conta do ajuste fiscal paulista”, critica Luiz Carlos Moraes.

O peso do ICMS paulista encarece em 3,3% o preço de um carro zero-quilômetro. O porcentual parece pequeno, mas pode ser grande o efeito nos valores finais. Como exemplo prático, a versão de entrada Sport T270 do novo Jeep Compass foi lançada no fim de abril passado por R$ 140 mil na maioria dos estados e sobe para R$ 144.647 em São Paulo, uma diferença de R$ 4.647, enquanto o topo de linha Trailhawk TD350 começou a ser vendido por R$ 217 mil, mas vai a R$ 224.304 nas concessionárias paulistas, ou R$ 7,3 mil mais caro.

Um outro fator que pode ter influenciado a “vitória” de Minas sobre São Paulo em maio é o fato de a fabricante líder atual do mercado brasileiro estar instalada no Polo Automotivo Fiat de Betim (MG), que tem volumes significativos de vendas diretas a frotistas no Estado e pode ter ganhado novos clientes, que obviamente preferem pagar alíquota menor de ICMS e para isso concentraram as compras em Minas para escapar da tributação maior.

Por Pedro Kutney, da AB.