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“Não prometo milagres”

31/1/19

Com “pé no chão”, Romeu Zema, governador eleito de Minas Gerais, renova a esperança de dias melhores

Quem acompanhou o desempenho dos candidatos para o governo de Minas Gerais pelas pesquisas eleitorais se surpreendeu ao fim da eleição. O previsto segundo turno entre velhos nomes da política se espraiou para uma surpreendente chegada avassaladora de Romeu Zema, do Partido Novo. Ele não só ganhou a disputa, como ganhou com folga. Até três meses, pouca gente apostaria em um cenário assim.

Dono de uma rede varejista, Romeu Zema terá a chance de transformar o território mineiro em uma vitrine do Partido Novo que, fundado em 2015 por profissionais liberais e empresários, levanta as bandeiras do liberalismo econômico, das privatizações gerais e do livre mercado. Em um cenário político novo, muitas perguntas surgem e, por isso, a Revista SINDLOC-MG foi buscar algumas respostas.

Revista SINDLOC-MG – Vivemos um momento de transição política, de crise de representatividade, mas também de renovação. Nesse contexto, o que significa assumir o governo de Minas Gerais?
Romeu Zema – O resultado das urnas deixou claro que o povo mineiro desejava uma renovação, um jeito novo de governar. As pessoas viram que, se a política continuasse a mesma, com os mesmos personagens e as mesmas velhas práticas, nada iria mudar. Trouxemos uma proposta de administrar o Estado de uma forma nova, onde a capacidade técnica e a austeridade sejam os grandes norteadores. Sei do enorme desafio que tenho pela frente e da grande responsabilidade em corresponder à confiança dos mais de 70% de eleitores mineiros que me deram seu voto. Mas trago uma experiência de 30 anos na gestão empresarial, com sucesso, e é essa vivência que quero levar para minha administração à frente do governo de Minas. Um jeito novo de governar, com eficiência, ética e austeridade com os recursos públicos.

Revista SINDLOC-MG – Em dezembro de 2016, o governo do Estado chegou a decretar calamidade financeira. Estima-se que o déficit, só com o pagamento de aposentadorias e pensões, está na casa dos R$ 16 bilhões. Isso assusta o senhor? Existe uma receita para resolver isso?
Romeu Zema – A situação é complicada, realmente. Mas acredito que, com determinação, seriedade e muito trabalho, conseguiremos reequilibrar as contas do Estado. Nossa receita começa com o enxugamento da máquina, reduzindo o número de secretarias, cortando cargos comissionados e acabando com mordomias e privilégios. Há analistas políticos dizendo que só vamos exonerar e depois recriar cargos com outros nomes. Não é essa nossa proposta. Antes de qualquer reforma administrativa, já não iremos preencher 80% destes cargos de livre nomeação, baseada até então no balcão de negócios da política com “p” pequeno. Nós não vamos preencher e depois vamos extinguir essas funções, com o auxílio dos deputados estaduais, que também terão que ser parceiros nesse momento em que ajustes precisam ser feitos, urgentemente, para sairmos da condição de insolvência de Minas atualmente. Também queremos tornar o estado atraente para o investidor, reduzindo a burocracia, criando um ambiente favorável ao empreendedorismo, para que aqui se estabeleçam empresas, para que possamos criar empregos e aquecer nossa economia.

Revista SINDLOC-MG – A imprensa costuma apontar os holofotes para os primeiros cem dias de governo. O que Romeu Zema objetiva mostrar, 100 dias após assumir?
Romeu Zema – Não prometo milagres e sei que não conseguiremos solucionar a grave crise por que passa o Estado num piscar de olhos, como gostaríamos. Mas o povo mineiro pode esperar que, desde o primeiro dia do meu Governo, já vamos começar a tomar decisões necessárias para o enxugamento da máquina pública e o reequilíbrio das contas. Porém, algumas medidas vão demandar algum tempo, pois dependem de aprovação na Assembleia Legislativa ou outros fatores para serem implementadas.

Revista SINDLOC-MG – Hoje, o SINDLOC-MG é membro do conselho estadual de turismo. Com a reestruturação, como será tratada a Secretaria de Turismo em Minas Gerais?
Romeu Zema – Sou de uma cidade turística, Araxá. O Turismo terá o tratamento que merece. É uma atividade singular para Minas Gerais. Somos vocacionados para atender bem ao turista que vem conhecer nossas riquezas culturais e naturais. Queremos incrementar as parcerias com a iniciativa privada. Vejam a subutilização dos nossos parques estaduais, muito pela precariedade nos receptivos. É preciso buscar modelos bem sucedidos lá fora para implementarmos nos nossos parques estaduais, por exemplo. Atividades e serviços que agreguem à experiência turística. Esse setor impulsiona outros em efeito virtuoso. A cadeia movimenta inúmeros setores. O carro que turista aluga, o quarto do hotel em que ele se hospeda, o restaurante aonde ele vai comer a comida típica mineira. Isso faz a roda da economia girar, gerando divisas para o estado. Daí, a relevância de aprimorarmos nossa capacidade de receber turistas.

Revista SINDLOC-MG – Minas Gerais é o estado do Brasil com a maior frota de automóveis de locadoras de veículos do país. Aqui está a sede de duas das maiores empresas do setor. Para se ter uma ideia, dos 709.033 carros que formam a frota total do setor no Brasil, 421.665 estão no território mineiro. Na visão do senhor, o setor de aluguel de carros ajuda a movimentação econômica de um estado?
Romeu Zema – Como disse anteriormente, essa atividade é um termômetro da nossa atração de turismo e de geração de negócios, como o transporte por aplicativos. Vamos trabalhar para modernizar nossa infraestrutura turística e simplificar processos para que essa atividade da locação de veículos continue pujante e que cresça com Minas Gerais na sua vanguarda!

Revista SINDLOC-MG – Para encerrar, o que esperar do Partido Novo daqui pra frente?
Romeu Zema – Acredito que nossa gestão à frente do Governo de Minas e a atuação dos parlamentares eleitos pelo Novo vão deixar claro para toda a população que realmente trazemos um jeito novo de lidar com a coisa pública. A começar que consideramos que público é o que é meu, seu, nosso, e não uma coisa que não tem dono, como vem sendo tratado o que é público até então. Vamos mostrar que existe um jeito diferente de governar, de atender às necessidades dos cidadãos que pagam impostos. Com a responsabilidade que os contribuintes exigem que haja com os recursos que são públicos e que devem voltar como serviços de qualidade para a população.

Por Leandro Lopes, da Revista SINDLOC-MG.