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O desarranjo do setor automotivo e a falta de carros nas locadoras

30/3/21

Há meses o segmento de aluguel de automóveis está em alerta. Faltam carros nos pátios das locadoras. De acordo com a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis – Abla, o déficit é de pelo menos 100 mil veículos em todo o Brasil.

No final do ano, muitas empresas perderam negócios, enquanto clientes tiveram que aguardar as devoluções e higienizações para sair dirigindo das locadoras. Em alguns casos a taxa de utilização atingiu 86% da frota em outubro, um recorde histórico. Em novembro, a demanda seguiu aquecida: as buscas cresceram até 35%. Para se ter uma ideia, durante os piores meses da pandemia, entre março e maio, o movimento das locadoras no aluguel diário despencou 80%.

“Foi um ano de muitas incertezas. Muitos associados, para manter o fluxo de caixa, optaram por desfazer uma parte da frota e agora, na hora da retomada, encontraram as montadoras com um fluxo menor de produção”, explica Marco Aurélio Nazaré, Presidente do SINDLOC-MG e Vice-Presidente da Abla.

FALTA CARROS
Três fatores ajudam a entender o problema da escassez de automóveis. O primeiro está relacionado com a redução da frota das locadoras. Segundo a Abla, no ápice da paralisação imposta pelo coronavírus, as locadoras reduziram sua frota em 8%. Há também o fato de que muita gente evitou os aeroportos e fez viagens mais próximas, pelas estradas. O “bate-e-volta” ganhou força nos últimos meses. Por fim, um novo modelo de vida, no qual se aluga em vez de comprar está cada vez mais presente.

Soma-se a isso o fechamento da Ford Brasil e a escassez de insumos como aço, condutores e pneus. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea, os estoques de automóveis nas fábricas e concessionárias entram em 2021 no seu menor nível de todos os tempos.

“O que estamos vivendo é um desarranjo do setor automotivo. As locadoras hoje precisam aguardar até 150 dias para receber um automóvel. Antes da pandemia, o prazo não passava de 30 dias”, lembra Marco Aurélio. De acordo com estimativas da Abla, o setor de locação aguarda atualmente pela entrega de 150 mil veículos.

Embora aparentemente temporária, a falta de carros poderá se estender nos próximos meses. “Temos um mercado reprimido de viagens de lazer, negócio e uma cultura de assinatura de automóveis em expansão. 2021 será um ano que exigirá muito mais atenção no planejamento das empresas, mas também das montadoras”, argumenta Marco Aurélio.

PRODUÇÃO
De acordo com a Anfavea, a produção de 2.014.055 autoveículos encolheu 31,6%, deixando a indústria automobilística com uma ociosidade técnica de quase 3 milhões de unidades. Já as exportações de 324.330 de unidades foram as piores desde 2002, um retrocesso de quase duas décadas. Em valores, a receita de US$ 7,4 bilhões foi menos da metade do que se exportou em 2017 (US$ 15,9 bilhões).

PRECIFICAÇÃO
O crescimento do aluguel de automóveis traz outras questões, como a profissionalização do segmento. Com a procura em alta e o aumento expressivo dos custos será necessário repensar a precificação, por exemplo. Algumas locadoras, por conta do aumento da demanda e de um reajuste médio de 20% no valor dos veículos novos, já adotaram outros valores. Nesses casos, os preços sofreram um reajuste entre 20% e 30% desde agosto, segundo a Abla.

“Também necessitamos que os empresários e seus colaboradores estejam preparados para esse novo normal e o aumento do nicho de assinatura. Por isso, parte do planejamento estratégico do SINDLOC-MG foi dedicado a esse desafio. Fiquem atentos que teremos muito o que pensar e executar ao longo de 2021”, afirma o Presidente do SINDLOC-MG.

Da Revista SINDLOC-MG;
Foto Capa: Fábrica Renault / Divulgação;
Foto Fábrica: Pixabay;
Foto Marco Aurélio Nazaré: Leandro Lopes.