Eletromobilidade: Ricardo Bastos analisa avanço das chinesas e futuro das frotas das locadoras
Atualizado: há 9 horas

A edição impressa da Revista SINDLOC-MG (nº 142) traz uma entrevista com Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil, sobre o avanço da eletromobilidade e seus impactos para o setor de locação de veículos.
No site do SINDLOC-MG, ampliamos esse conteúdo: primeiro, trazemos uma pergunta exclusiva sobre a chegada de novas montadoras ao Brasil e as perspectivas para a presença dos eletrificados nas frotas das locadoras. Na sequência, o leitor pode conferir também, na íntegra, as perguntas e respostas que deram origem à entrevista publicada na revista.
SINDLOC-MG: A chegada de novas montadoras, especialmente chinesas, traz quais oportunidades e desafios para as locadoras brasileiras?
Ricardo Bastos: O fato de as empresas de eletrificados estarem se instalando no Brasil significa mais facilidade de negociação, reposição de peças e manutenção dos veículos. Mas o mais importante é o grande aumento da oferta de novos modelos. Só este ano, de janeiro a agosto, segundo a ABVE Data, o mercado de eletrificados leves no Brasil ofereceu 383 modelos. Isso significa mais opções de preço, características e tecnologia, permitindo às locadoras ampliar e diversificar seus serviços.
SINDLOC-MG: Nos próximos três a cinco anos, que espaço os veículos eletrificados devem ocupar nas frotas das locadoras? Que recomendação o senhor daria ao empresário que ainda avalia entrar nesse mercado?
Ricardo Bastos: O rápido crescimento dos emplacamentos dos eletrificados novos e o aumento do market share mostram que o consumidor brasileiro está cada vez mais preferindo o veículo eletrificado, no momento de tomar sua decisão de compra. Acho natural que essa tendência se reproduza entre os usuários de serviços de locadoras. Quem já experimentou um carro elétrico dificilmente volta ao carro a combustão. Minha recomendação aos empresários desse setor é: fiquem atentos à nova realidade do mercado automotivo e levem em conta a preferência do consumidor. A aposta no carro elétrico poderá significar mais economia operacional e mais satisfação do cliente.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA DA REVISTA SINDLOC-MG
Na edição impressa, alguns trechos das respostas foram reduzidos para adequação ao espaço editorial. Abaixo, disponibilizamos a conversa que deu origem à reportagem, com as respostas de Ricardo Bastos na íntegra.
Economista formado pela Universidade de Brasília, Ricardo Bastos acumula mais de 25 anos de atuação na indústria automotiva. Durante 14 anos, foi vice-presidente da Anfavea, participando de discussões relacionadas à formulação de políticas públicas e regimes voltados ao setor. Atualmente, é Diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE.
Revista SINDLOC-MG: O Brasil já entrou definitivamente em uma nova fase da eletromobilidade ou ainda vive um período de transição?
Ricardo Bastos: Há apenas quatro anos, quando os veículos eletrificados ainda tinham um market share de 2,5% no Brasil, havia um entendimento no mercado de que uma nova tecnologia automotiva só se tornaria relevante e irreversível se chegasse a 5%. Pois bem, as coisas andaram rápido. Em novembro de 2023, os eletrificados chegaram a 5,2%, superando pela primeira vez aquele limiar simbólico. Em dezembro de 2025, alcançaram dois dígitos, chegando a 12,7%. E em agosto de 2026, atingiram 22%. Em outras palavras: de cada 100 veículos vendidos no Brasil no último mês, nada menos do que 22 foram eletrificados ou BEV 100% elétrico, ou PHEV híbrido plug-in ou híbrido convencional HEV com tração elétrica. Há apenas dois anos, a expectativa da ABVE era que os eletrificados atingiriam 30% do mercado em 2030. Tivemos de revisar esse número. Pelo ritmo de crescimento atual, chegaremos a 30% já em 2027. Portanto, respondendo à sua pergunta: sim, o Brasil já entrou definitivamente numa nova fase de eletromobilidade.
Revista SINDLOC-MG: Hoje, quais fatores tornam a incorporação de veículos elétricos ou híbridos economicamente interessante para as locadoras?
Ricardo Bastos: Hoje, o mercado brasileiro já oferece carros elétricos e híbridos a preços compatíveis com os similares a combustão. Portanto, o fator preço não é mais um impeditivo à nova tecnologia. Além disso, o custo do km rodado num carro elétrico pode ser de 3 a 5 vezes menor do que num carro a combustão, com uma economia de 60% a 70% na manutenção. No final do mês, é muito mais vantajoso ter um carro eletrificado na frota. E, por fim, o mais importante: o carro elétrico é tanto mais econômico quanto mais roda. Me parece um veículo ideal para uma operação de locação. Os depoimentos dos motoristas de aplicativo, que rodam 10/12 horas por dia, confirmam isso.
Revista SINDLOC-MG: Quais são os principais gargalos da infraestrutura de recarga no Brasil e o que ainda precisa avançar?
Ricardo Bastos: A infraestrutura também avançou. Em dezembro de 2020, tínhamos apenas 350 pontos de recarga públicos e semipúblicos no Brasil. Em junho deste ano (último levantamento da ABVE), esse número já atingiu 25.400. Um crescimento exponencial de 7.165% em pouco mais de cinco anos. Ainda assim, temos muito o que melhorar em infra de recarga. Hoje, a relação veículos plug-in em circulação no Brasil versus pontos públicos de recarga está em torno de 19/1. O ideal é chegar a 10/1, o que significa pelo menos dobrar o atual número de eletropostos públicos. Para isso, temos de mudar as concessões rodoviárias para garantir cláusulas obrigatórias de instalação de pontos de recarga nas estradas. Os governos têm de incentivar a instalação de eletropostos em praças, parques, avenidas e áreas públicas. E as concessionárias de energia têm de estar mais preparadas para entregar a eletricidade necessária a esses pontos. Mas é importante destacar o avanço nas normas de instalação de pontos de recarga nos prédios residenciais e comerciais por parte dos corpos de bombeiros de vários estados. Um motorista de aplicativo, e mesmo de locadora, terá mais facilidade de recarregar seu veículo no próprio prédio onde mora ou trabalha.
Revista SINDLOC-MG: Como a ABVE avalia o valor residual dos veículos elétricos e híbridos e a receptividade do mercado de seminovos?
Ricardo Bastos: Um estudo que acaba de ser divulgado, do Banco BV e da Fenauto (Federação das Revendedoras de Veículos), confirma uma alta valorização do carro elétrico seminovo de até três anos, por causa da forte demanda do mercado por esse tipo de tecnologia. Ao mesmo tempo, apontou uma queda sensível na valorização do elétrico seminovo com mais de três anos. Mas não por causa da queda da qualidade ou desempenho, e sim por uma forte expectativa do comprador de que os modelos mais novos incorporarão cada vez mais tecnologia e recursos, a um preço convidativo. Isso se deve ao fato de que o mercado de eletrificados está muito dinâmico, oferecendo muitas opções ao comprador, tanto de veículos novos quanto de usados. No longo prazo, acredito que haverá uma acomodação e o mercado de seminovos passará a ter um comportamento de preços semelhante ao do passado, com a diferença de que haverá cada vez mais carros elétricos e eletrificados em oferta.
Revista SINDLOC-MG: A chegada de novas montadoras, especialmente chinesas, traz quais oportunidades e desafios para as locadoras brasileiras?
Ricardo Bastos: O fato de as empresas de eletrificados estarem se instalando no Brasil significa mais facilidade de negociação, reposição de peças e manutenção dos veículos. Mas o mais importante é o grande aumento da oferta de novos modelos. Só este ano, de janeiro a agosto, segundo a ABVE Data, o mercado de eletrificados leves no Brasil ofereceu 383 modelos. Isso significa mais opções de preço, características e tecnologia, permitindo às locadoras ampliar e diversificar seus serviços.
Revista SINDLOC-MG: Nos próximos três a cinco anos, que espaço os veículos eletrificados devem ocupar nas frotas das locadoras? Que recomendação o senhor daria ao empresário que ainda avalia entrar nesse mercado?
Ricardo Bastos: O rápido crescimento dos emplacamentos dos eletrificados novos e o aumento do market share mostram que o consumidor brasileiro está cada vez mais preferindo o veículo eletrificado, no momento de tomar sua decisão de compra. Acho natural que essa tendência se reproduza entre os usuários de serviços de locadoras. Quem já experimentou um carro elétrico dificilmente volta ao carro a combustão. Minha recomendação aos empresários desse setor é: fiquem atentos à nova realidade do mercado automotivo e levem em conta a preferência do consumidor. A aposta no carro elétrico poderá significar mais economia operacional e mais satisfação do cliente.






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