Governança, gerações e continuidade nas empresas de locação
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O crescimento do setor reforça a importância de fortalecer a relação entre família e negócio, preparar novas gerações e estruturar a governança para sustentar o futuro das empresas

O setor de locação de veículos no Brasil vive um momento consistente de crescimento e consolidação. De acordo com o Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2025, o segmento alcançou R$ 52,9 bilhões de faturamento, reúne mais de 31 mil empresas ativas, gera cerca de 105 mil empregos diretos e mantém uma frota superior a 1,6 milhão de veículos em circulação.
Os números confirmam a relevância do setor para a mobilidade, para o turismo, para a indústria automotiva e para a economia brasileira.
Mas por trás desses números existe um elemento muitas vezes menos visível e igualmente decisivo para o futuro das empresas: as famílias empresárias que construíram e sustentam grande parte desses negócios.
Muitas locadoras nasceram da visão empreendedora de fundadores que identificaram oportunidades, assumiram riscos e construíram empresas com dedicação, proximidade com clientes e forte envolvimento familiar. Essa origem empreendedora é uma das grandes forças do setor.
Ao mesmo tempo, à medida que as empresas crescem e se tornam mais complexas, novos desafios passam a fazer parte da realidade empresarial. Não apenas desafios operacionais ou estratégicos, mas também aqueles ligados às relações entre gerações, às expectativas familiares e à forma como as decisões são tomadas.
É nesse momento que a reflexão sobre governança começa a ganhar relevância. Governança não é um modelo único ou uma estrutura pronta. Ela precisa ser construída de forma coerente com o momento da empresa, da família e dos sócios.
Em alguns casos, começa com algo aparentemente simples: criar mais clareza sobre papéis, responsabilidades e espaços de decisão. Em outros, envolve preparar as novas gerações para participar do negócio, organizar a relação entre família e empresa ou estruturar instâncias que apoiem decisões estratégicas.
Mais do que estruturas formais, a governança ajuda a fortalecer algo essencial para empresas familiares: a qualidade das conversas e das decisões. E aqui surge um ponto delicado e, muitas vezes, pouco observado.
Em diferentes contextos empresariais, é comum tratar determinados comportamentos ou conflitos como se fossem o problema central, quando na verdade eles são apenas consequências de questões mais profundas que ainda não foram suficientemente compreendidas ou conversadas.
Dificuldades de comunicação, decisões concentradas, divergências entre gerações ou entre sócios podem, muitas vezes, ser sinais de algo que precisa ser aprofundado na base da relação e da tomada de decisão.
Quando essas situações são tratadas apenas na superfície, a tendência é que reapareçam em outros momentos.
Por outro lado, quando há espaço para reflexão, alinhamento e construção de acordos, esses desafios podem se transformar em oportunidades de evolução.
Fortalecer a relação entre gerações e estruturar práticas de governança não é apenas uma questão de gestão. É também um movimento de cuidado com a continuidade do negócio.
Empresas que atravessam gerações raramente fazem isso apenas por bons resultados financeiros. Elas conseguem avançar porque desenvolvem, ao longo do tempo, formas mais maduras de dialogar, decidir e se organizar.
O setor de locação de veículos já demonstrou grande capacidade empreendedora e adaptação ao mercado. O momento atual também convida a uma reflexão sobre como fortalecer as bases que sustentam esse crescimento. Porque, no final, a longevidade de uma empresa depende das escolhas feitas no presente. E, muitas vezes, aquilo que trouxe o negócio até aqui não será exatamente o que o levará adiante.
Entre desafios e oportunidades, as empresas que conseguem evoluir suas estruturas, fortalecer suas relações e preparar suas próximas gerações ampliam significativamente suas chances de continuidade.
Mais do que um conjunto de estruturas formais, governança é uma construção que sustenta o futuro das empresas e das famílias que as inspiram.

Daniela Teixeira
Sócia fundadora da ABRIR-SE Consultoria em Governança, atua com foco no desenvolvimento humano — individual e coletivo — por meio da estruturação de sistemas de governança e sucessão. Com mais de 25 anos de experiência, construiu sua carreira na gestão de pessoas e de negócios em empresas familiares, nos setores de construção pesada e civil, saneamento básico, piscicultura e advocacia. Sua trajetória é marcada pela implementação de boas práticas de governança, promovendo sustentabilidade e evolução tanto para os colaboradores quanto para as organizações. Conselheira Estratégica e Fiscal na ABRH/MG e na Associação Comercial MG. Sócia da Azul Viagens Juiz de Fora.





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